terça-feira, 15 de maio de 2012

Primavera em Nova York 2012  –  Estreia Dark Shadows

dark2 ok Primavera em Nova York 2012   Estreia <i>Dark Shadows</i>

Nunca cheguei a assistir nenhum episódio da série Dark Shadows, embora tenha sido exibida no Brasil pela Bandeirantes, nem dos longas que foram extraídos dela, embora tivessem a curiosidade da presença em seu canto de cisne da estrela Joan Bennett. Apenas ouvi falar que ela era Cult, talvez por ser muito pobre e com cenografia ridícula.

Era basicamente uma telenovela e durou entre 1966 a 71, trazendo como protagonista Barnabas Collins, o ator Jonathan Frid, que morreu com 87 anos, há algumas semanas, sem poder ver a participação dele e outros atores originais da série na sequência da festa onde canta Alice Coooper (descrito por Johnny Depp, ou seja, Barnabas no filme como a mulher mais feia que já viu na vida!).

Dark Shadows já está em cartaz nos Estados Unidos, mas não me pareceu que vai abalar o reinado de Avengers, todo mundo com que cruzei estava louco para assistir, mesmo que fosse de novo a aventura da Marvel. A sala em que assisti com qualidade de imagem de primeiríssima linha na primeira sessão do dia de estreia estava quase vazia e com público frio.

Deram uma ou outra risada, já que tem sacadas boas, mas está longe de ser uma comédia. 

Também não é o filme que estava se esperando para dar finalmente um Oscar de diretor para Tim Burton, que já faz tempo que merece. A melhor coisa, e nisso não há novidade, é a presença de Johnny Depp, que está discreto, bem maquiado, sinistro, mas sem excessos. Considerando que tem que fazer um papel de vampiro assassino ingrato e que mata todos os que o salvaram porque esta há quase dois séculos morrendo de sede de sangue!

E não para por aí, não é exatamente uma figura doce e adorável como Edward Mãos de Tesoura. Mata mesmo os outros, inclusive a mulher de Burton, Helena Bonham Carter que faz uma esquisita psiquiatra. E não chega a ter grandes poderes, a não ser a vida eterna e a capacidade de hipnotizar humanos. 

 Mas o tempo todo eu senti o medo que o filme tem de virar uma variação da Família Monstro ou Família Addams. O que é um engano.

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Porque fica num meio termo perigoso, não é bem terror, não é comédia, nem melodrama romântico, embora tenha momentos de romance. Acaba sendo apenas mais uma obra da fantasia de Burton, ao custo de U$S 125 milhões, que reúne sua equipe (eficiente) de confiança como o compositor Danny Elfman, o produtor Richard Zanuck, figurinista Coleen Atwood.

Outra pessoa que está bem no filme, aliás tem o melhor papel depois de Depp, é a francesa Eva Green, que não tinha dado certo desde James Bond. Ela tem o papel chave da bruxa maligna que vive na Costa do Maine e é apaixonada por Barnabas, mas quando recusada consegue armar a vingança diabólica (não se sabe porque tem tanto poder!).

De qualquer forma, alem de transformar Barnabas em vampiro, faz com que a mulher
 que ele ama se mate e o enterra vivo num caixão todo acorrentado. Quando este retorna, Eva esta muito bem de vida, já que tomou toda a fortuna da família de Barnabas, mas mesmo assim continuou louca por ele. 

E o ponto alto do filme seria a sequência dos dois fazendo sexo literalmente subindo pelas paredes. Quando Barnabas retorna já é nos anos 70 escolhido porque era a época em que todos se vestiam e se comportavam de maneira mais bizarra, o que permite que ele use um linguajar antiquado, se assuste um pouco com as novidades.

Mas nem isso é aproveitado direito pelo roteiro, poderiam ter muito mais piadas com os contrastes de costumes. Assim como toda família é muito mal explorada. Michelle Pfeiffer faz a matriarca Elizabeth que aceita Barnabas de volta. Michelle continua uma bela mulher, mas não lhe dão nada especial para fazer, aliás está todo mundo perdido. Como a adolescente Carolyn, que esconde um segredo, mas é o pior trabalho de Chloe Grace Moretz, que nem ganha quase closes.

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Jonny Lee Miller (filho de Bernard Lee o M de Bond e ex marido de Angelina Jolie), faz o irmão de Elizabeth, Roger que parece ser vigarista, mas logo é tirado de cena. O menino David (Gulliver McGrath) é ajudado pelo fantasma da mãe dele, mas é outra falha do filme já que mal entendemos sua presença ou ação assim como a figura do outro fantasma que acompanha o interesse romântico que, supostamente, seria reencarnação da outra.

Confuso? Também acho, confesso que não entendi direito.

Há regras mal delineadas do que um vampiro pode ou não fazer. A luz do dia não o perturba, mas do sol sim, não se vê no espelho, mas não tem problemas com água. E sorry, nada a ver com a Saga Crepúsculo. Diante de tudo isso repito: tenho minhas dúvidas a respeito do êxito do filme e mesmo da continuação para qual já deixam a porta aberta.


Rubens Ewald Filho

Crítico de cinema

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