domingo, 21 de fevereiro de 2010

Sertanejos distribuem álbuns gratuitamente

Prática semeada pelo tecnobrega paraense e por bandas como a cearense Aviões do Forró, a distribuição de discos vem sendo adotada por artistas sertanejos, que chegam a dar milhares de CDs por mês.

Longe de qualquer ato filantrópico, as duplas abrem mão da venda de álbuns para aumentar a divulgação de suas músicas e, assim, sua receita em shows.

"Em uma apresentação nossa no Nordeste, um pessoal distribuiu 8.000 CDs de um artista que ia tocar no dia seguinte, para que as pessoas soubessem cantar as músicas", conta Zezé Di Camargo, que se apresenta ao lado do irmão Luciano. "O disco hoje é muito barato de se produzir. Estúdio tem em qualquer lugar no Brasil. A música estoura", diz.

José Antônio Éboli, presidente da Universal, afirma que duplas chegam a distribuir de 20 mil a 30 mil discos mensais. "Embora esse segmento seja um sucesso absoluto em shows, isso não se reflete no mercado fonográfico. Se existisse essa relação, esses artistas estariam vendendo milhões de discos", afirma. "Nós investimos bastante no sertanejo, mas esse é um segmento perigoso para retorno [financeiro] porque ele se autopirateia."

Para Zezé Di Camargo, a prática vulgarizou a venda do CD: "É como um escritor distribuir seu livro para todo mundo".

O cantor conta que hoje lucra muito mais em shows do que em venda de disco.
"Antigamente, o disco era nossa principal receita", conta. "Hoje, ele é mais usado como instrumento de divulgação, para a música tocar no rádio. Por isso, esses artistas que estão começando fazem isso. Acho ruim, mas eles foram levados pela situação."
(BB)

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