segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Dez filmes para arruinar qualquer carreira




Depois de assistir à última bomba de Nicolas Cage no cinema é impossível não pensar “como ele conseguiu descer tanto?”. Depois de uma carreira já estabelecida, indicações a vários prêmios e alguns anos de boas escolhas parece impossível que alguém consiga errar tanto e tantas vezes seguidas.

Sobrinho do diretor Francis Ford Copolla, com quem trabalhou em O Selvagem da Motocicleta, Cotton Club e Peggy Sue – Seu Passado a Espera, Cage começou no cinema com uma ponta na aventura juvenil Picardias Estudantis, de Amy Heckerling, mas pouco tempo depois ganhou papéis de destaque em Valley Girl, de Martha Coolidge, e Adeus à Inocência, de Richard Benjamin.

Com uma filmografia de fazer inveja por aí, atuou para diretores concorridos como Alan Parker (Asas da Liberdade), Irmãos Coen (Arizona Nunca Mais), Norman Jewison (Feitiço da Lua), David Lynch (Coração Selvagem), Brian De Palma (Olhos de Serpente), Martin Scorsese (Vivendo no Limite), Ridley Scott (Os Vigaristas), Oliver Stone (World Trade Center) e Werner Herzog (Vício Frenético). Além de ter vivido os inesquecíveis Ben Sanderson, de Despedida em Las Vegas, dirigido por Mike Figgis, e os gêmeos Charlie e Donald, de Adaptação, dirigido por Spike Jonze.

Entre os muitos filmes de sua lista, Cage também transitou entre os gêneros sem fazer muito feio. Divertiu em Lua de Mel à Três e Atraídos pelo Destino, de Andrew Bergman, e O Guarda-Costas da Primeira Dama, de Hugh Wilson; emocionou com Um Homem de Família, de Dominic Sena e O Sol de Cada Manhã, de Gore Verbinski; angustiou com O Senhor das Armas, de Andrew Niccol e liberou toda a testosterona em A Rocha, de Michael Bay; A Outra Face, de John Woo, e Kick-Ass – Quebrando Tudo, de Matthew Vaughn. Sem falar nas aventuras adolescentes A Lenda do Tesouro Perdido e Aprendiz de Feiticeiro, ambos de Jon Turteltaub.

Pronto. Estaria tudo certo se esta fosse a filmografia completa do ator. Mas, infelizmente, desde 1998 cada bom filme costuma vir acompanhado de bombas que chegam a provocar pena. E com a idade, e o consequente medo de envelhecer e/ou o acúmulo de dívidas, a coisa vai ficando cada vez mais feia, como mostra essa barrinha vermelha do gráfico abaixo, que deu um pulo em 2011 e parece  vai continuar crescendo daqui pra frente.

Para não dizerem que a gente contou o milagre e esqueceu de contar o santo, segue a lista dos dez piores filmes da vida desse senhor, que prometia chegar longe antes de, geralmente bem acompanhado, insistir nos cabelos ensebados, capas e rodas fumegantes. Os mesmos que fizeram dele um nome a ser evitado ou, pelo menos, conferido com muita cautela.


Cidade dos Anjos, de Brad Silberling

O primeiro dos grandes deslizes vai causar polêmica por aí, já que tem um monte de gente que adora o filme e se emociona horrores com a história de amor entre o anjo Seth e a Dra. Maggie Rice, mas quando a gente lembra que não passa de uma adaptação deturpada do clássico Asas do Dejeso, do diretor alemão Wim Wenders, pode até desconfiar que a escolha do filme iniciou uma maldição sobre o resto da filmografia: “toda refilmagem que fizeres, pagarás com sangue!”
A cúmplice: Meg Ryan


60 Segundos, de Dominic Sena
Sem acreditar nos avisos que os amigos e fãs deram, Nicolas Cage resolveu arriscar mais uma adaptação, só que desta vez de um filme que não era grandes coisas. De repente não sendo um clássico europeu, as coisas funcionassem. Não adiantou, nem mesmo tendo Angelina Jolie ao lado e um monte de máquinas super possantes desfilando pela tela.
A cúmplice: Angelina Jolie


O Sacrifício, de Neil LaBute
E lá vem mais uma refilmagem para confirmar a profecia. A diferença é que agora nada e nem ninguém é capaz de explicar, desculpar e justificar o que aconteceu. O Homem de Palha, de 1973, não é um filme ruim, mas essa versão escalafobética do Neil LaBute é completamente perdida em si mesma. Não à toa, foi indicada a cinco Troféus Frambroesa: os de pior filme, roteiro, refilmagem, ator (Cage) e dupla em cenas (Cage e sua fantasia de urso).
A cúmplice: Kate Beahan


O Motoqueiro Selvagem, de Mark Steven Johnson
Saindo um pouco do batido, este título não é nenhuma refilmagem, mas também carece de originalidade, já que também é adaptado. Desta vez, só para ser mais grave, dos quadrinhos. Fugindo bastante da linha tradicional das histórias de Johnny Blaze sobram pontas a serem aparadas e, pior, a interpretação pra lá de esquisita de Cage parece ficar ainda mais evidente quando alguma coisa nele pega fogo. Só para piorar, tem uma sequência saindo do forno para o ano que vem.
A cúmplice: Eva Mendes


O Vidente, de Lee Tamahori
Aqui a história não é exatamente original, já que é uma adaptação de um conto de Philip K. Dick, mas um que tinha motivo para não ter sido filmado até então. O argumento é o seguinte: um mágico de Las Vegas tem o poder de ver alguns minutos do futuro que está prestes a acontecer, por isso o governo resolve solicitar sua ajuda pra prevenir um ataque terrorista. Nem precisa ter poderes para ver que isso não prestaria, mas as cenas finais conseguem surpreender até aqueles que achavam que nada poderia ser pior.
As cúmplices: Julianne Moore e Jessica Biel


Perigo em Bangkok, de Oxide Pang Chun e Danny Pang
E voltamos à mania das refilmagens. Aqui num curioso caso de versão americana feita pelos próprios diretores da versão original, de 99. Para complementar a estranheza, Cage aparece sempre com um figurino que mataria qualquer Agostinho Carrara de inveja. Sem falar também nos cabelos desgrenhados e oleosos e naquele mesmo olhar caricato que o acompanha em filmes do gênero.
A cúmplice: Charlie Yeung


Presságio, de Alex Proyas
Parece que a regra é a seguinte: filmes que envolvam premonição não derivam nem de outros filmes e nem de quadrinhos; filmes sem esse advento têm que ser, obrigatoriamente, refilmagens ou algo do gênero. Mas um exemplo de previsão de futuro, só que agora com ciência envolvida. Baboseira do começo ao fim.
A cúmplice: Rose Byrne


 
Caça às Bruxas, de Dominic Sena
Só para quebrar o paradigma estabelecido, o filme é original e não tem previsão de futuro, mas tem magia e feitiçaria. Do século XIV, ainda. Porque não satisfeito em fazer mal feito nos tempos atuais, Sr. Cage também tinha que enfiar um títulos de época na sua lista de erros. Pelo menos a esquisitice do cabelo é menos chocante em papéis assim.
A cúmplice: Claire Foy


Fúria Sobre Rodas, de Patrick Lussier
Depois de tanta coisa sem sentido, nada como uma boa mistureba. Satanistas, assassinatos, sequestros, sacrifícios, violência doméstica, armas, carros, perseguidores e carteira de motorista vencida. Precisa falar mais alguma coisa?
A cúmplice: Amber Heard


Reféns, de Joel Schumacher
Aqui o espaço é limitado a uma casa projetada pela esposa do personagem de Cage, um avaliador de diamantes, mas a limitação se restringe ao espaço. Caras, bocas e diálogos inacreditavelmente rasteiros fazem dos espectadores os verdadeiros reféns dessa tortura.
A cúmplice: Nicole Kidman
Agora fica a pergunta: como é que uma carreira, qualquer que seja ela, sobreviveria a algo assim? É tão sério que, para piorar, só se juntasse Cage com Kevin Costner, numa parceria policial, para salvar Demi Moore das mãos de traficantes de mulheres.

Cecilia Barroso

Cecilia vive mais tempo com a cabeça nas nuvens do que com os pés na terra e tem muita dificuldade em ficar muito tempo parada no mesmo lugar, fazendo a mesma coisa. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas.

Um comentário:

  1. EU ASSISTI O ÚLTIMO FILME DO NICALA CAGE, REFÉNS, UMA BOMBA, MUITO CHTO E PREVISÍVEL.
    ELE ESTÁ SE TORNANDO UM ESPECIALISTE EM FILMES RUINS.

    ResponderExcluir